E quando o “funcional” não funciona…

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10/02/2015

Acho bom postar sobre temas da moda, pois rapidamente vemos a diferença entre quem está fazendo a coisa conscientemente e quem está perdido no meio da muvuca! Acredito que todos aprendem bastante quando as pessoas sérias da área se posicionam, além disso, fica mais fácil descobrir quem é sério e quem não é! A galera do “lado negro” do funcional diz que é necessário treinamento “funcional” para melhorar “funcionalidade” de tudo e de todos.

O pessoal costuma falar que exercícios de musculação, especialmente os realizados em máquinas, não preparam uma pessoa para a vida… huuuummmm, será? O conceito de especificidade é meio deturpado por quem faz mau uso do funcional, pois acham que uma pessoa só ganhará equilíbrio se conseguir andar numa corda bamba ou ficar em pé sobre um bosu! Mas para quem isso é específico? Para mim não é, para meu avô também não! O estudo clássico de Fiatarone et al. (1990) usou exercícios de musculação feitos lentamente, especialmente extensão de joelhos e extensão de quadril (ecaaaaaaaaa) em idosos frágeis e verificou que após 10 semanas de treinamento houve melhorias na funcionalidade.

Em estudo mais recente, Holviola et al. (2012) encontraram melhoras na marcha e no equilíbrio com treinos de musculação envolvendo leg press, extensão e flexão de joelhos. Ou seja, as melhoras aconteceram sem ninguém precisar ficando em pé em cima de um bosu ou andasse na corda bamba! Por outro lado, o grupo de Schilling et al. (2009) utilizou um treino em discos infláveis em idosos e não encontrou melhoras nos testes funcionais, incluindo o teste de equilíbrio! E agora, onde foi parar o conceito de “especificidade para a vida”? Vários estudos mostram correlação entre força e funcionalidade, entre força e longevidade e por aí vai.

E a melhor forma de se treinar força é por meio do treinamento resistido, o que ainda virá acompanhado de ganhos de massa muscular, densidade mineral óssea, melhoras no sistema cardiovascular, metabolismo glicídico… Os treinos não tradicionais podem ser muito úteis, mas no momento de aplica-lo deve-se ter consciência de suas finalidades e limitações. A musculação é a musculação e o funcional é o funcional, seria bom não tentar misturar as coisas. Não é uma boa ideia achar que uma pessoa que faz “apenas” musculação terá problemas de funcionalidade ou encarará dificuldades em sua vida.

E é uma ideia pior ainda achar que a musculação deve ser substituída pelas modalidades não tradicionais. Agora, uma boa ideia é os bons profissionais ficarem atentos, pois se essa bagunça não for controlada, pode-se acabar afundando um tipo de exercício com diversas aplicações interessantes, igual acontece com a musculação de vez em quando, vide os treinos das “celebridades” nas redes sociais. Olho nos picaretas!!

Fonte: Dr. Paulo Gentil